Barragens chegam ao fim de Fevereiro com água abaixo da média
16-03-2012 22:10
A maior parte das barragens em Portugal tem neste momento menos água do que costuma ter em Fevereiro, mas a situação está longe da que se verificava em 2005, data da última grande seca no país.
A quantidade de precipitação em todo o país no mês passado foi mínima: apenas 2,2 milímetros, contra cerca de 100 milímetros de valor médio. Nunca choveu tão pouco em Fevereiro desde que há séries fiáveis e comparáveis de registos meteorológicos. Mesmo em 2005, data da última grande seca no país, choveu mais: 19,7 milímetros.
Neste momento, a seca meteorológica, medida essencialmente pela quantidade de precipitação, já é pior do qualquer outra situação semelhante na mesma altura pelo menos desde 1980. Mesmo em 2005, data da última grande seca no país, 77% do território continental estavam sob seca “severa” ou “extrema” – os níveis mais graves da escala utilizada pelo Instituto de Meteorologia. Agora, são 100% – 68% em seca "severa" e 32% em seca "extrema". A situação piorou desde 15 de Fevereiro, data do penúltimo balanço, quando havia 25% do território em seca "moderada", 70% em seca "severa" e 5% em seca "extrema".
Apesar da seca meteorológica ser já pior do que a de 2005, naquela altura as barragens estavam mais em baixo do que agora – pois a falta de chuva já vinha do ano anterior.
Das 57 albufeiras monitorizadas pelo Instituto da Água, seis estão agora abaixo de 40% da sua capacidade – Arade (27%) e Funcho (30%), no Algarve; Paradela (39%), na bacia do Cávado; Vilar-Tabuaço (23%), no Douro; Alto Lindoso (36%), no Lima; e Vale do Rossim (8%), no Mondego. No outro extremo, há 16 albufeiras a mais de 80% da sua capacidade.
Em Fevereiro de 2005, era o contrário: havia apenas sete barragens com mais de 80% de água e 14 estavam abaixo dos 40%.
Os teores de água no solo estão, de qualquer forma, baixos, entre 30% e 50% em todo o país.
Embora haja previsão de alguma chuva hoje, a precipitação possivelmente não mudará o cenário de seca. “Não se prevê que estes aguaceiros e períodos de chuva sejam fortes, mas podem cair com mais intensidade em alguns pontos do continente”, disse à Lusa a meteorologista Joana Seixes.
A antevisão da evolução a médio prazo das condições do tempo não é animadora. Existe uma maior probabilidade para que a precipitação em Março seja abaixo da média. Por isso, “será mais provável que não se verifique desagravamento na severidade da situação de seca meteorológica em Portugal continental, no final de Março de 2012”, conclui o relatório do Instituto de Meteorologia.
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